Falhas em projetos de BI

No último post falamos sobre inteligência, sobre as habilidades inerentes ao perfil de analistas e arquitetos de soluções de Business Intelligence... (Aqui)

ATENÇÃO: O conteúdo desse post não é técnico.

Esse será sobre falhas em projetos de BI. Para essa discussão vamos tomar que projetos falhos são aqueles não concluídos  ou que não atenderam as expectativas dos usuários e/ou desenvolvedores.

Todos os erros, ou pelo menos os que conheço, cometidos no desenvolvimento e/ou implantação de sistemas de suporte aos processos de negócio (sistemas de retaguarda ou transacionais, como preferem alguns) se aplicam a projetos de BI. Não pretendo ficar no mais do mesmo, então vamos tentar elencar as anomalias relativas à natureza das soluções de Business Intelligence.

1 - Desenvolver/Implantar BI com base nos mesmos princípios de desenvolvimento/implantação de um sistema de retaguarda: 

Alguns acreditam que as diferenças fundamentais, entre um solução de BI e um ERP (por exemplo), sejam; a modelagem de dados, a tecnologia, os entregáveis e os usuários chave. Mas infelizmente (ou felizmente) não é bem assim. Enquanto podemos comparar o desenvolvimento de um ERP a construção de um prédio em São Paulo, onde se conhece o terreno, os riscos, custos, prazos, e sabe-se exatamente o que se quer construir, afinal de contas já foram construídos dezenas de prédios do mesmo tipo.
Podemos comparar BI a construção de um prédio no Cairo. (E para quem acha essa metáfora estranha (rsrs), sugiro que leiam o que Peter Thomas diz a respeito Aqui)

Logo que se inicia as escavações, descobre-se estórias completamente desconhecidas até então. Debaixo daquele mundo de areia existe valor agregado. Muda-se escopo, os entregáveis (agora se quer um prédio com um museu subterrâneo preservando toda a ciência arqueológica encontrada), muda-se os valores, prazos, há uma perspectiva completamente nova. E um alerta é acionado; novas mudanças podem ocorrer a qualquer instante, a medida que as escavações avançam. Muito da expertise do desenvolvimento de sistemas transacionais podem ser herdados, seja quanto a gerência de projetos, requisitos, metodologias de desenvolvimento. Mas há que se lembrar que os focos são completamente diferentes, enquanto um dá suporte aos processos e tem o retorno baseado na automação dos mesmos, o outro está intimamente ligado a ação com base em analise de fatos. O milagre acontece em duas vias, não importa quão complexo, usual e caro tenha sido, o ROI do BI está pautado sobre analise a ação. Portanto a estratégia para projetar e construir também possui suas idiossincrasias.


2 - TI alinhado ao negócio: 

Uma máxima facilmente encontravel, quando fala-se em falhas em projetos de BI, é a que diz "TI não está alinhado ao negócio". Um dia talvez tenha sido real, hoje não é. Não existe TI sem negócio, como por sua vez não existe negócio sem TI. A discussão mais pertinente deveria ser "Indicadores alinhados à estratégias de ação".

3 - BI como modismo: 

Essa é mais um dica aos provedores de solução de BI. Por mais competente que seja uma equipe, por mais robusta e/ou inteligente seja a solução criada, ser case de sucesso depende fortemente do usuário e do poder de ação que esse tem diante dos fatos. Quem investe em BI por simples modismo, não tem motivação para analisar dados, que dirá para agir com base neles. Cuidado para não criarem elefantes brancos, lindos e inúteis.

4 - Falta de maturidade dos usuários: 

O principal fator limitador quando nos referimos ao usuário, é a sensibilidade a mudanças. BI é nativamente uma filosofia para mitigar riscos e fomentar oportunidades. É desse espírito pró ativo e reativo que depende grande parte do sucesso de soluções de BI. Processos, metodologias, pessoas, precisam ser analisados em tempo quase real. O paradigma da mudança precisa ser quebrado, seja por via de geração de competência dos usuários que já participam dos processos, seja alocando ou realocando pessoas com skill mais adequado a nova realidade.

5 – BI não é Fim: 

Outro engano comum, é que alguns acham que BI é finalidade. O fim é sempre possuir um balanço mais positivo que o balanço anterior. BI é portanto meio, ou canal de potencializar as ações.

6 - Metalinguagem:

Em lingüística uma metalinguagem pode referir-se a qualquer terminologia ou linguagem usada para descrever uma linguagem em si mesma. Linguagem que fala da própria linguagem. Mas o que isso tem haver com BI?

Hoje já existem estudos significativos quanto a mensurar o ROI do BI, (Aqui e Aqui) é importante que se crie e use estratégias para mensurar os ganhos com investimentos em Business Intelligence, a fim de que se dê continuidade a evolução dos projetos. BI que mede BI.

Hoje ficamos por aqui.
Nos próximos falaremos sobre a evolução do BI nos últimos 20 anos, como evoluíram as ferramentas de visualização, ETL e Hardware, até lá!



-- Justificando minha maneira de escrever -- 
Recebi uma critica sobre como escrevo, antes de publicar esse post, bastante pertinente, mas vou deixar pública a minha réplica. 

Disseram que eu tenho um bom vocabulário, que consigo expressar muito bem as idéias, mas que meus textos são "pobres", porque evito alguns termos em inglês.
Bem, eu sei o que significa os termos Stakeholders, DeadLine e mais um mundo de acrônimos inventados todos os dias para a area do BI. No entanto, esse espaço não é visitado apenas por Experts, muito antes pelo contrário, me visitam estudantes, curiosos, e pessoas que nem atuam com TI. Os termos mais "sofisticados", tem seu espaço e momento adequado, mas não é esse.

Não me interessa uma linguagem hermética, onde poucos entendam. 
Optei por uma abordagem simples, tentando evitar ruido no processo de me comunicar com o leitor. E isso inclusive me parece mais inteligente, já que o um dos maiores vilões, quando falamos em projetos, é a comunicação falha.


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